Introdução ao Estudo da Neurociência Aplicada à Educação


Introdução ao Estudo da Neurociência Aplicada à Educação


Sabe-se que, para a Neurociência, o ambiente possui um papel importante para a estimulação e o desenvolvimento dos indivíduos. A interação das nossas bases genética e biológica, ou seja, aquilo que é programado e esperado para manifestarmos com base no nosso DNA, em combinação com estímulos ambientais e experiências ao longo da vida revela-se determinante para a nossa trajetória de desenvolvimento. Fatores como experiências parentais, educacionais, nutricionais e sociais são sugeridos como fortes preditores de um adequado desenvolvimento do cérebro.

A falha ou o não atendimento de necessidades básicas em períodos iniciais do desenvolvimento — como por exemplo afeto, carinho, segurança e estabilidade — pode reprogramar o curso e os processos de formação do nosso cérebro (alterando estruturas e seu funcionamento) e conduzir a prejuízos psicológicos e cognitivos significativos. 

Evidências já indicam que exposição a experiências adversas e estressoras na infância e, também, na adolescência estão associadas a baixos níveis de inteligência (avaliado através de testes de QI), problemas escolares de aprendizagem e desempenho, além de aumentarem o risco de manifestação de distúrbios emocionais e comportamentais. 

Podemos ter a oportunidade de aprender um pouco mais sobre isso ,ao falarmos em estresse e neurodesenvolvimento, abordando de que forma tal relação interfere nos processos de aprendizagem e memória.

Neste sentido, dentro de uma perspectiva da Neuroeducação, podemos considerar que educadores, formam um dos pilares ambientais mais importantes para o desenvolvimento humano.

 Isto faz com que se apresente uma crescente demanda de integração do conhecimento a fim de planejar estratégias pedagógicas que possam estar alinhadas com as experiências e a trajetória de vida dos indivíduos ao longo do seu processo de formação e desenvolvimento.

Portanto o educador possuí um papel central para o cérebro em desenvolvimento, especialmente durante os primeiros anos de vida. Para que isso ocorra, precisamos pensar que as nossas práticas devem ser capazes de construir estratégias que se alinhem ao funcionamento do cérebro na busca de melhores resultados.

No entanto, você devem estar se perguntando:

* Como é possível que nossas aprendizagens tenham como base o funcionamento dos nossos neurônios?

* Será que é possível que nossas memórias estejam armazenadas em padrões de atividade neuronal?

* O que faz com que crianças e adolescentes tenham diferenças em relação à facilidade com que aprendem certos conteúdos em comparação com outros, para os quais apresentam maiores dificuldades?

* Quais seriam as estratégias de aprendizagem adequadas a fim de facilitar os processos de ensino e aprendizagem, considerando-se o funcionamento do cérebro?

* Qual é a influência de fatores psicossociais e parentais em tais processos, para além da atuação do educador?

Estas são algumas questões na educação,onde várias delas ainda sem, necessariamente, uma resposta única ou concreta. Porém, o caminho do conhecimento para a busca de tais entendimentos está sendo cada vez mais bem explorado pelo campo da Neurociência. 

Denota-se uma grande necessidade do estabelecimento de uma via de mão dupla na comunicação entre neurociência e educação, pois à primeira opção possuem um conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e os mecanismos subjacentes aos processos cognitivos, enquanto à última diz respeito aos problemas práticos do dia a dia que se relacionam diretamente com os processos de ensino-aprendizagem. 

Isso tem atraído diversos educadores  a buscarem formações continuadas na área das Neurociências. Percebe-se um crescente interesse por parte deste público e uma maior participação em cursos da área, incluindo formações de extensão e pós-graduação.

A proposta é exatamente esta: ser capaz de conduzir os educadores de diferentes etapas do ensino na aquisição de conhecimentos sobre o funcionamento do SNC e das diferentes regiões que o compõem e, finalmente, no reconhecimento de como os processos cognitivos que permitem o desenvolvimento das nossas aprendizagens podem ser aplicados em condições reais do cotidiano a fim de alinhar novas estratégias e práticas educacionais. 

Assim, espera-se que tais respostas possam ser, ao menos em parte, respondidas ao longo do tempo, ainda que se saiba, hoje, que nem mesmo a Neurociência é capaz de oferecer todas as respostas.

Muitos questionamentos acerca do funcionamento do cérebro humano ainda precisam ser respondidos. Isso demanda um maior número de pesquisas nas diferentes áreas de estudo do cérebro, assim como na própria educação. 

O papel do educador em levantar questionamentos e elucidar demandas e problemas práticos de ensino, a partir de suas observações empíricas no campo, torna-se essencial para o desenvolvimento das pesquisas que buscam melhor compreender como nossos cérebros se organizam e respondem aos estímulos e desafios apresentados, contribuindo na construção das nossas aprendizagens.

                             

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